30 de janeiro de 2011

Oscar 2011: Atração Perigosa (The Town)


Atores que se aventuram na direção não é nenhuma novidade no cinema. Clint Eastwood é apenas o exemplo mais bem sucedido desta lógica (que tornou-se um dos maiores realizadores do cinema americano), enquanto outros astros chegam até mesmo a ganhar o Oscar, nem sempre merecidamente, por suas investidas atrás das câmeras (como Robert Redford, Kevin Costner e Mel Gibson), muitos amargam o fracasso de bilheteria e o não reconhecimento da crítica especializada. Ben Affleck deu um novo rumo à sua carreira quando estreou na direção com "Medo da Verdade", onde dirigiu o irmão Casey Affleck e conseguiu uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante para Amy Ryan. O feito se repete agora com este "Atração Perigosa", seu segundo trabalho na direção, em que também é o protagonista e recebeu a indicação de melhor ator coadjuvante para Jeremy Renner.


Este filme policial é ambientado em Boston, cuja historia é marcada por um grande número de assaltos a banco e carros fortes. Um grupo de assaltantes liderado por Doug MacRay (Affleck) consegue roubar um banco e levam consigo a gerente do local, Claire (Rebecca Hall) como refém. Depois de tê-la libertado, descobrem que ela mora na mesma região de Charlestown onde eles também residem, Doug resolve aproximar-se dela para obter informações sobre a movimentação da polícia no roubo em que estão envolvidos. Não é preciso dizer que os dois irão se apaixonar, outros clichês do gênero como o último trabalho que o bandido é obrigado a fazer antes de largar o crime, surgem no decorrer da estória. Porém a qualidade de "Atração Perigosa" está na habilidade de Ben Affleck em lidar com estes clichês e na segurança com que conduz as cenas de ação e o elenco (que ainda conta com a presença de Jon Hamm, da série Mad Men, Chris Cooper e Pete Postlethwaite, em um de seus últimos filmes). Adaptação de Affleck, Peter Craig e Aaron Stockard do romance "The Prince of Thieves" de Chuck Hogan, "Atração Perigosa" é um daqueles policiais que nos conquistam pelos ótimos personagens em cena. Doug é o assaltante que vê em Claire a oportunidade de se redimir e abandonar a vida de crimes, Jem (Jeremy Renner) é o amigo de temperamento explosivo e violento, Claire é a mulher sensível, traumatizada pelo assalto ao banco em que trabalhava e receosa da amizade e do interesse de Doug por ela.
Affleck não apela para sentimentalismos fáceis que algumas situações poderiam facilmente descambar, aproveita-se muito bem da paisagem urbana de Boston e suas particularidades, sabendo dosar bem as emoções dos personagens junto à adrenalina das perseguições dos assaltos e dos conflitos entre FBI e bandidos, bandidos e bandidos e Doug e Claire.
Ben Affleck não é mais uma promessa e "Atração Perigosa" surge como uma confirmação de seu talento com diretor com este interessante policial que com certeza foi uma das gratas surpresas nos cinemas do ano passado.

25 de janeiro de 2011

Parabéns, Vrgínia Woolf!


Hoje Virgínia Woolf completaria 129 anos. No dia 25 de janeiro de 1882 nascia aquela que seria um dos grandes nomes da literatura mundial do século XX. Ao lado de James Joyce, Marcel Proust e Franz Kafka, Virgínia definiu os novos rumos desta arte com uma prosa inovadora, que dava voz aos pensamentos de suas personagens, o tão conhecido fluxo de consciência. Saber o que pensavam, acompanhar a confusão de suas mentes e suas idéias, sua fragilidade diante do mundo e das relações humanas, um sentimento de deslocação, é como constatar que estes pensamentos nada mais eram que os nossos próprios, tão falíveis quanto. Não se trata de uma tarefa fácil mergulhar neste rio, é necessária a mesma entrega com que Virgínia escrevia para acompanhar as páginas de seus romances e contos, de início começa tortuoso, depois com a familiaridade de suas palavras a leitura flui melhor mesmo com um certo ou menor estranhamento. Confesso que foi difícil voltar a lê-la depois de alguns anos sem contato com sua literatura, comecei pelos “Contos Completos”, numa bela edição da Cosac Naif, depois pelo seu último romance “Entre os Atos”. Ainda tenho encontrado algumas pedras no caminho (não sei se culpo a rotina de trabalho e cansaço que, querendo ou não, atrapalha uma boa leitura, mesmo que você tenha a melhor das intenções, ou atribuo esta dificuldade à alguma espécie de ferrugem na minha mente que me deixou mais preguiçoso a este tipo de leitura).
Já de “Mrs. Dalloway” e “Noite e Dia” trago grandes lembranças, sua poesia e alguns personagens, a convidada indesejada da festa do primeiro e a protagonista que adora matemática do segundo, comovem pelo olhar que a autora lançava sobre eles e o restante das personagens que surgiam nas linhas seguintes. Um olhar sincero e muitas vezes cruel, cruel como a humanidade, portanto humano. Cruel como a sociedade em nossa volta e o rigor nos papéis que devemos assumir e que ela, na maioria das vezes, nos impõe. As personagens de Virgínia Woolf, sejam femininas ou não, assumem este papel ou o renegam, sofrem as dores e o peso desta responsabilidade e anseiam por algo novo e tremem e hesitam diante desta novidade. Personagens que refletem a instabilidade da própria escritora, o seu estado de espírito no momento em que escrevia suas estórias. Sua inquietação em experimentar uma nova linguagem, o desespero pelas suas condições mentais e suas preocupações com o mundo em si, suas grandes paixões transformadas em belíssimos textos. A matéria-prima para os livros de Virgínia Woolf era a própria vida de Virgínia Woolf. Intensa, contraditória, transgressora, louca até, por que não? Seus livros são como um caminhar até o rio e o acompanhar de seu fluxo natural, fluxo este que pode mudar de calmo para caudaloso em instantes...

And the Oscar goes to...


A Academia de Artes e Ciências Cinematográfica de Hollywood anunciou esta manhã os indicados da premiação mais popular do cinema: o Oscar. Depois de tantas especulações, já sabemos quem está no páreo, os favoritos e os azarões que podem acabar com a festa dos principais nomes deste ano. “O Discurso do Rei”, de Tom Hopper, saiu na frente e foi indicado a 12 categorias, seu nome sempre correu por fora entre os possíveis ganhadores do Oscar de melhor filme, porém a sua vitória no Producers Guild Awards deste ano aumenta, e muito, as suas chances de levar o principal prêmio da noite. A Rede Social, tão alardeado, elogiado e premiadíssimo filme sobre as origens do Facebook (incluindo o Globo de Ouro como melhor filme – drama) perde um pouco a sua força de favorito e somou 8 indicações. Isto não quer dizer muita coisa, o número de indicações apenas significa que tal filme foi lembrado em mais categorias, somente isto (alguém se lembra de 2009 em que “O Curioso Caso de Benjamin Button”, com suas 13 indicações, foi derrotado nas categorias principais por “Quem Quer Ser Um Milionário?” e ainda saiu apenas com 3 estatuetas douradas na mão?). Bem minha torcida continua sendo para “A Rede Social”, claro que quero assistir “O Discurso do Rei” para reforçar ou rever meus conceitos (o trailer, pelo menos, mostra um filme muito delicioso de se ver, além de um elenco que admiro muito), mas o filme de David Fincher segue cativo nas minhas preferências.
Bravura Indômita, dirigido por Ethan e Joel Coen, conseguiu 10 indicações; A Origem, 8 indicações; 127 Horas, 6 indicações; Cisne Negro, 5 indicações e Minhas Mães e Meu Pai, Toy Story 3 e Inverno da Alma; ambos com 4 indicações, completam a lista dos indicados a melhor filme.
Natalie Portman e Colin Firth seguem favoritos como melhor atriz e ator, respectivamente. Ela, pela sua impressionante atuação (que somente pelos trailers já dá para se ter uma ideia da magnitude de seu trabalho). Ele, por não ter sido premiado o ano passado por “Direito de Amar”, mais uma daquelas justiças tardias que a Academia gosta de fazer. Nem o vencedor do ano passado Jeff Bridges (que concorre este ano por “Bravura Indômita”) oferece risco ao ótimo Colin Firth, apesar de eu sentir que o nome de Javier Bardem possa ter certa força e influência na escolha dos votantes da Academia. Vai saber...
A injustiça da vez? Christopher Nolan fora da lista dos indicados a melhor diretor, seu trabalho em “A Origem” deveria ter sido lembrado, pelo forte poder visual que o filme possui, uma orquestração de ótimos atores, efeitos especiais e de uma trama onírica e empolgante do início ao fim. Uma pena, pois Nolan também foi preterido por sua direção por trabalhos tão vigorosos quanto “Amnésia” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.
Sem contar que o documentário sobre o trabalho do artista plástico Vik Muniz junto a catadores de lixo, “Lixo Extraordinário” (uma co-produção Brasil e Inglaterra), também foi lembrado pelos membros da Academia.
Ainda é cedo para fazer apostas, só sei que vou enlouquecer e querer assistir a todos os indicados deste ano. O que provavelmente não vai acontecer em tempo hábil, até a cerimônia de entrega das estatuetas douradas no dia 27 de fevereiro. Enquanto isso, vamos especulando conforme outras premiações, como a dos sindicatos, o BAFTA, vão divulgando os seus vencedores e nos dê uma ideia de quem pode subir ao palco após ouvir o tão aguardado “The Oscar goes to...”.
Segue a lista com todos os indicados ao Oscar 2011:

Melhor filme
“Cisne Negro”
“O Vencedor”
“A Origem”
“Minhas Mães e Meu Pai’’
“O Discurso do Rei”
“127 Horas”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“Bravura Indômita”
“Inverno da Alma”

Melhor ator coadjuvante
Christian Bale ("O Vencedor")
Geoffrey Rush ("O Discurso do Rei")
Mark Ruffalo ("Minhas Mães e Meu Pai")
Jeremy Renner ("Atração Perigosa")
John Hawkes ("Inverno da Alma")

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo ("O Vencedor")
Helena Bonham Carter ("O Discurso do Rei")
Hailee Steinfeld ("Bravura Indômita")
Amy Adams ("O Vencedor")
Jacki Weaver ("Reino Animal")

Melhor diretor
Darren Aronofsky ("Cisne Negro")
David Fincher ("A Rede Social")
Tom Hooper ("O Discurso do Rei")
Joel and Ethan Coen ("Bravura Indômita")
David O. Russel ("O Vencedor")

Melhor atriz
Nicole Kidman ("Reencontrando a Felicidade")
Natalie Portman ("Cisne Negro")
Jennifer Lawrence ("Inverno da Alma")
Annete Benning ("Minhas Mães e Meu Pai")
Michelle Williams ("Blue Valentine")

Melhor ator
Javier Bardem - "Biutiful"
Jeff bridges - "Bravura Indômita"
Jesse Eisenberg - "A Rede Social"
Colin Firth - "O Discurso do Rei"
James Franco - "127 Horas"

Roteiro original
"A Origem"
"Minhas Mães e Meu Pai"
"O Discurso do Rei"
"Another Year"
"O Vencedor"

Roteiro adaptado
"127 Horas" - Danny Boyle, Simon Beaufoy
"Toy Story 3" - Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich
"Bravura Indômita" - Joel Coen, Ethan Coen
"Inverno da Alma" - Debra Granik, Anne Rosellini
"A Rede Social" - Aaron Sorkin

Animação
"Como Treinar Seu Dragão"
"O Mágico"
"Toy Story 3"

Direção de arte
“Alice no País das Maravilhas” - Diretor de Arte: Robert Stromberg; Decoração de Set: Karen O'Hara
“Harry Potter e as relíquias da Morte” - Diretor de Arte: Stuart Craig; Decoração de Set: Stephenie McMillan
“A Origem” - Diretor de Arte: Guy Hendrix Dyas; Decoração de set: Larry Dias and Doug Mowat
“O Discurso do Rei” - Diretor de Arte: Eve Stewart; Decoração de Set: Judy Farr
“Bravura Indômita” - Diretor de Arte: Jess Gonchor; Decoração de Set: Nancy Haigh

Fotografia
“Cisne Negro” - Matthew Libatique
“A Origem” Wally - Pfister
“O Discurso do Rei” - Danny Cohen
“A Rede Social” - Jeff Cronenweth
“Bravura Indômita” - Roger Deakins

Documentário
“Exit through the Gift Shop” - Banksy and Jaimie D'Cruz
“Gasland” - Josh Fox and Trish Adlesic
“Trabalho Interno” - Charles Ferguson and Audrey Marrs
“Restrepo” - Tim Hetherington and Sebastian Junger
“Lixo Extraordinário” - Lucy Walker and Angus Aynsley

Filme estrangeiro
“Biutiful” (México)
“Dogtooth” (Grécia)
“Em um Mundo Melhor” (Dinamarca)
“Incendies” (Canadá)
“Outside the Law (Hors-la-loi)” (Argélia)

Maquiagem
“Minha Versão do Amor” - Adrien Morot
“The Way Back” -  Edouard F. Henriques, Gregory Funk and Yolanda Toussieng
“O Lobisomem” - Rick Baker and Dave Elsey

Trilha sonora original
“Como Treinar seu Dragão”- John Powell
“A Origem” - Hans Zimmer
“O Discurso do Rei” - Alexandre Desplat
“127 Horas”- A.R. Rahman
“A Rede Social” - Trent Reznor and Atticus Ross

Canção original
“Coming Home” de “Country Strong” (Música e letra de Tom Douglas, Troy Verges e Hillary Lindsey)
“I See the Light”  de “Enrolados” (Música de Alan Menken e letra de Glenn Slater)
“If I Rise” de “127 Hours” (Música de A.R. Rahman e letra Dido and Rollo Armstrong)
“We Belong Together” de  “Toy Story 3" (Música e letra de Randy Newman)

Curta-metragem de animação
“Day & Night” - Teddy Newton
“The Gruffalo” - Jakob Schuh and Max Lang
“Let's Pollute” - Geefwee Boedoe
“The Lost Thing” - Shaun Tan and Andrew Ruhemann
“Madagascar carnet de voyage (Madagascar, a Journey Diary)” - Bastien Dubois

Curta-metragem
“The Confession” - Tanel Toom
“The Crush” Michael - Creagh
“God of Love” - Luke Matheny
“Na Wewe” - Ivan Goldschmidt
“Wish 143” - Ian Barnes and Samantha Waite

Edição de som
“A Origem” - Richard King
“Toy Story 3” - Tom Myers and Michael Silvers
“Tron: o Legado”  - Gwendolyn Yates Whittle and Addison Teague
“Bravura Indômita” - Skip Lievsay and Craig Berkey
“Incontrolável” - Mark P. Stoeckinger

Mixagem de som
“A Origem” - Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick
“O Discurso do Rei” - Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley
“Salt” - Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan e William Sarokin
“A Rede Social” - Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick e Mark Weingarten
“Bravura Indômita” - Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland

Efeitos visuais
“Alice no País das Maravilhas” - Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas e Sean Phillips
“Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1” Tim Burke, John Richardson, Christian Manz e Nicolas Aithadi
“Além da Vida - ” Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski e Joe Farrell
“A Origem” - Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley e Peter Bebb
“Homem de Ferro 2” - Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright e Daniel Sudick

Figurino
“Alice no País das Maravilhas” - Colleen Atwood
“I Am Love” - Antonella Cannarozzi
“O Discurso do Rei” - Jenny Beavan
“The Tempest” - Sandy Powell
“Bravura Indômita” - Mary Zophres

Documentário (curta)
“Killing in the Name”
“Poster Girl”
“Strangers No More”
“Sun Come Up”
“The Warriors of Qiugang”

Edição
“Cisne Negro” - Andrew Weisblum
“O Vencedor” - Pamela Martin
“O Discurso do Rei” - Tariq Anwar
“127 Horas” - Jon Harris
“A Rede Social” - Angus Wall and Kirk Baxter

22 de janeiro de 2011

Desvairada homenagem à paulicéia


São Paulo faz 457 anos no próximo dia 25 de janeiro. A cidade outrora conhecida como “Terra da garoa”, hoje em dia, bem que poderia se nomeada “Terra das quatro estações”. Amanhecemos com a brisa da madrugada, o sol massacra nossas cabeças durante a manhã, no fim da tarde chove à beça e à noite refresca ou esfria, acontecendo de tudo isto misturar-se num desses períodos. Outono, inverno, primavera e verão no mesmo dia. A cidade muda de clima assim como mudamos nosso humor, sob a influência ou não destes fatores climáticos. Cidade neurastênica, cacofônica, concreta, com uma ou outra flor a embelezar nosso caminho, com uma ou outra árvore a quebrar a monotonia gris de suas fachadas. Contraste com o sangue que corre em suas veias: Nós! A sua população meio que acompanha seu ritmo, nunca menor que frenético. Correr para não ser engolido, correr para não ser passado para trás, correr pelo simples prazer pelo arrivismo, pelo gosto e a obrigação do trabalho. A cidade assume um aspecto mecânico que muitas vezes, ou a maioria delas, robotiza os seus. O olhar focado nos objetivos pessoais e nas inúmeras tarefas impõe uma barreira ao seu redor que impede que enxergue algo além, impede o toque, a conversa, rejeita qualquer outro tipo de contato ou comunicação, mesmo que o metrô ou ônibus aparentemente prove o contrário, mesmo na rua que movimenta milhões de gente tão apressada para descansar, tão apressada para aproveitar os minutos do dia que lhe resta ou simplesmente porque está atrasada para um compromisso importante. Não que o freio não seja puxado de vez em quando, não que o corpo não permita um período para nada pensar ou fazer, numa ociosidade individual ou em grupo. Uma pausa para respirar e olhar para o próximo, um momento para recarregar as baterias no banco da praça ou na mesa do bar.
Mas se a cidade parar, ela morre. Esse relaxamento não pode durar muito tempo e a respiração ofegante e um certo afã de resolver as coisas ditam as regras novamente, mesmo sob o risco de um infarto ou a iminência de um derrame ou uma hemorragia  inesperada na forma de uma enchente ou qualquer outro perigo. Mas São Paulo sempre sobrevive, ergue-se, cambaleia nas primeiras horas, resiste e segue seu rumo, fênix que é. Renascer do asfalto (das cinzas não, pois já tem muita poeira por aí), é apenas mais uma de suas rotinas, mais uma de suas habilidades adquiridas depois de tanto tempo vivendo sempre ao extremo, convivendo com as desigualdades e ignorando-as para não sofrer mais que o habitual. Improvisando cada minuto para garantir o espetáculo de todo dia, provocando aplausos e vaias na mesma escala. Cidade que nos ensina na prática e que aprende com a nossa experiência, mesmo que a correria a faça esquecer os próprios ensinamentos segundos depois...