29 de agosto de 2012

O Livro de Areia (Jorge Luis Borges)


Meu primeiro contato com Jorge Luis Borges foi há muitos anos atrás com o livro de contos “O Livro de Areia”. Lembro que abandonei a leitura de suas estórias no segundo ou terceiro texto. Toda a sua escrita, naquela época pareceu-me inalcançável, julgava-me imaturo demais para assimilar aquela profusão de referências cultas que ele fazia em suas estórias. Foi justamente com este “Livro de Areia” que voltei ao universo único deste escritor argentino e muitas outras coisas ainda fogem a minha compreensão. Não sou profundo conhecedor de histórias medievais, da mitologia de determinados países, da cultura clássica e Borges espalha o seu conhecimento enciclopédico e rico a respeito destes temas em seus escritos. Mas desta vez não capitulei, segui corajoso até o fim deste livro de contos, com muito por aprender, no entanto com uma boa parcela de mim já conquistada por este universo único (encontro com duplos, disputa entre acadêmicos, atentados a políticos, bibliotecas do mundo, etc.). O Livro de Areia pode não ser o livro perfeito para conhecer a obra de Borges (vide minha experiência inicial), mas dá a exata dimensão do quanto este é vasto, complexo e fascinante.

27 de agosto de 2012

Da importância do palavrão


Uma dos tabus da infância era falar palavrão. Talvez por ser proibido quão bom era exteriorizar sua raiva, emoção, até mesmo alegria na forma de um baixo calão. Não sei, mas parece que extravasamos mais, canalizamos melhor nossos sentimentos quando eles se materializam em profusões de “m...”, “c...”, “vai tomar no...”, “por...”, “p... que pariu”, entre tantos outros. Apesar das opções mais elegantes em nosso dicionário.
Engraçado é que todos eles estão ligados a um aspecto fisiológico ou sexual do nosso corpo humano. Mais engraçado ainda tornam-se os “palavrões compostos” que unidos tem uma lógica toda sua. Quando alguém profere “por... do car...”, diz uma grande verdade. Uma coisa não pertence exatamente à outra durante o coito ou a masturbação?
Tem gente que tem o palavrão como parte indissociável do seu vocabulário usual, nenhuma frase é composta sem mencioná-los, até mesmo as interjeições. Tem aqueles que nunca os dizem e no momento que soltam algum, fique preparado, pois significa que a pessoa está realmente, muito, mas muito nervosa!
Como já escrevi anteriormente, muito do linguajar dito chulo representa algo sexual. Os ligados ao homem são os mais populares e democráticos: ambos os gêneros não se envergonham de compartilhá-lo. Já aquele que se refere ao órgão sexual feminino... De todas as pessoas que conheço que o empregaram em suas falas, foram, em sua grande maioria, numa situação de extrema fúria. Parece que existe um nível hierárquico e un nível psicológico para cada uma dessas sentenças malditas. O não referido explicitamente jargão feminino reina absoluto no topo, por ser recorrido apenas em momentos exclusivos, geralmente envolvendo a ira.
Meus pais sempre falaram palavrão. Os vizinhos também e os filhos dos vizinhos consequentemente. Mas no recinto do lar, ai de quem (meus irmãos e eu) falasse qualquer um deles, até o mais leve. Lá imperava a lei do “faça o que digo, mas não faça o que eu faço” ou até mesmo a ditadura do “falo porque sou adulto e posso. Você não”. Até mesmo uma condenação perpétua era sentenciada por meu pai e minha mãe: “Enquanto estiver debaixo do meu teto, não vai dizer nenhum palavrão. Respeito é bom e conserva o pé da orelha...” (nada mais justo). Não havia questionamentos ou contestações. Mesmo porque, como toda ditadura, os delatores estavam ao seu lado e não pestanejavam em denunciá-lo: “Oh mãe, fulano falou palavrão!”.
Ainda resta um sentimento de culpa (vide o pudor com que escrevo este texto, todo reticente, evitando a transcrição literal dos termos que são os protagonistas deste post) em muitos de nós quando soltamos um palavrão, talvez por lembrarmo-nos dos olhares de reprovação dos nossos pais. Pelo menos a vida adulta nos concede esta liberdade, mesmo que sejamos maus exemplos de uma geração vindoura, que já é má educada por uma série de fatores.
O palavrão é nosso amigo, está ali para aliviar as dores (isso é cientificamente comprovado) e as decepções da vida, o nosso ódio ira ou para simplesmente nos divertir. Pronto para ser expresso num canto obscuro da nossa fala, independente de nos policiarmos e mantê-los presos por não muito tempo, uma hora ele escapa e...

25 de agosto de 2012

Escritos e Besteiras... 2 anos!


E o “Escritos e Besteiras de Wesley Moreira” comemora dois anos!!!

Um blog sobre muitos etcs. Um blog em constante transformação (pelo menos temática, assim venho tentando manter esta diversidade). Cheio de humores e maus humores também. Meio crônica, meio crítica, meio nada.

Mais uma vez agradeço aos leitores ocasionais ou fieis destas páginas que procuram antes de tudo a sinceridade.

E pretendo permanecer assim nos anos seguintes, quiçá?

Então...

Até o próximo post!


19 de agosto de 2012

A Bienal dos muitos livros e leitores


A Bienal dos muitos livros e leitores. Livros ao dispor de todos. Ao dispor de quase ninguém ao mesmo tempo (o preço ainda é muito alto). Livros de todas as cores, formatos, gêneros. Que falam aos diversos corações e mentes. Mentes que se perdem entre tanta oferta, mentes que se ocupam apenas em comprar, mentes que talvez não se ocuparão em lê-los num futuro próximo ou distante. Pessoas que desejavam trazer uma biblioteca inteira consigo mesmo sabendo não dispor de tempo hábil para se permitir a uma leitura  prazerosa e esclarecedora.
Tenho diversos livros em casa, muitos comprados por uma espécie de compulsão, um vicio, afinal todos acham, assim como eu, que uma hora vai ter contato com suas histórias, teorias etc..
Um autor não consagrado não chamando a atenção da multidão que circula indiferente pelos corredores. Um autor conhecido que congestiona as passagens com seus fãs e curiosos e torna ainda mais difícil o passeio pelo Anhembi. Local dos filhos pródigos e dos patinhos feios da literatura. Orgulhosos da sua bibliofilia passeiam com suas sacolas. Arrogantes de suas preferências exibem suas escolhas aos amigos. Ambos sinceros em suas paixões pelos Clássicos e Best Sellers.
Gutenberg sobrevive às intempéries da tecnologia, os Audiobooks, os E-readers e Ipads ainda não tomaram por completo o lugar do livro impresso. O toque das folhas de papel ainda não perdeu seu fetiche, seu hábito. Se não tiver o seu aspecto físico, se converter-se em bytes, megas ou gigas, o livro ainda será livro de qualquer jeito.
Salvar-nos-á do tédio das conduções (o boicote que sofremos nos transportes públicos), da inércia dos lares (quando o torpor nos põe inúteis e indecisos do que fazer, largados no sofá). Salvar-nos-á de nós mesmos e da opressão do mundo exterior.

4 de agosto de 2012

Mea culpa


Ter um blog exige certas movimentações. Você escreve, as pessoas te seguem, deixam comentários sobre o post que você publicou e depois as responde. Você também procura pelos blogs que mais se identifica, consequentemente segue o autor daquela página e também registra suas impressões sobre a última publicação deste. Não são exatamente regras, porém é o que se convencionou pelo hábito.
Confesso que não sigo à risca todos esses passos, não publico regularmente os meus textos, há muito que deixei de pesquisar blogs que eu goste ou que tenham uma abordagem parecida com a minha para depois segui-los e comentar seus posts. Mal faço isto com aqueles que tenho adicionados ao meu perfil.
Preguiça? Egoísmo? Desleixo? Nenhuma coisa, nem outra ou tudo isto ao mesmo tempo. Vai entender. Não consigo cumprir por completo este papel social no ambiente web, nas ondas da Internet e o que me atormenta é que esta persona é importantíssima, pois relacionamentos devem ser mantidos e cultivados até mesmo no mundo do virtual dos blogs, afinal eles também são redes sociais. E percebi que on line também sou um tanto averso a esta sociabilidade.
Portanto não se sintam magoados, excluídos ou desprezados, caros seguidores, seguidos e fortuitos visitantes. Poderia usar o tempo como álibi e sei que ele tem sua parcela de culpa com a sua rotineira escassez, mas assumo que parte desta culpa é minha. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, como dizia naquela velha oração. Também não farei promessas vazias de melhora, mas acredito que muitos que me seguem aqui, no entanto, mereciam o meu respeito através de uma sincera retratação.