29 de junho de 2015

Na Estante 40: 1001 livros para ler antes de morrer (Peter Boxall – editor geral)


Livro: 1001 livros para ler antes de morrer
Autor: Peter Boxall (editor geral)
Editora: Sextante
Ano: 2010
Páginas: 960


O interesse por listas levou-me a “1001 livros para ler antes de morrer”, uma obra monumental (960 páginas) e ambiciosa que deseja abarcar séculos de produção escrita para destacar os livros que fizeram a história da literatura. Claro que listas são recortes limitadores e não dão conta do todo. Dividida em quatro partes (livros publicados antes de 1800, livros do século XIX, século XX e primeira década do século XXI). A relação de obras detém-se apenas àquelas escritas em prosa (romances, contos, novelas e até algumas publicações biográficas e jornalísticas) o que deixa de fora clássicos como “A Odisseia” e a “Ilíada” de Homero, “A Divina Comédia” de Dante Alighieri e tantos outros trabalhos marcantes de gêneros como a poesia (lírica e épica), a crônica, o teatro ou até mesmo a filosofia, por exemplo. E certamente diversos livros importantes foram esquecidos.
O valor de “1001 livros” está mais no caráter enciclopédico, é uma obra de consulta e referência, ideal para aqueles que desejam conhecer os principais autores da literatura universal e ter contato com títulos e escritores e nacionalidades diversas, pouco citados ou divulgados na mídia brasileira. Organizado por Peter Boxall, o livro traz resenhas de cada um dos 1001 livros e dá espaço também à literatura brasileira (não poderia deixar de ser mencionados os clássicos Machado de Assis, José de Alencar, além de autores contemporâneos como Milton Hatoum, Cristovão Tezza e Bernardo Carvalho). Uma obra introdutória que não substitui o prazer de conhecer os clássicos que aborda, pelo contrário instiga a leitura deles.
É certo de que morrerei sem ter lido os 1001 livros da lista, porém esta obra divertida, além de evidenciar o atraso das minhas leituras (e o leitor vai se sentir igualmente em defasagem como eu), contribui com o estímulo para que este número de títulos essenciais diminua cada vez mais.

15 de junho de 2015

Das coisas que eu aprendi na greve

Foto: Peter Leone/Futura Press/Estadão Conteúdo

O mundo é uma escola, já disseram uma vez. Há situações no nosso dia a dia, no exterior das nossas casas e instituições de ensino que nos tornam maduros e sábios. Aprendemos tanto quanto sentados numa carteira, observando a fala do professor. Uma das coisas que eu aprendi nesta greve foi justamente com a figura do professor. Os professores e professoras que corajosamente aderiram ao movimento e, principalmente, resistiram até o fim.
Por ser um ambiente fechado, a escola vira um elemento alienante quando mal utilizado pela gestão e os próprios docentes. Sair da escola, para engrossar os números da greve e ainda colaborar, um pouco             que fosse, com as ações do sindicato, revelou outro mundo existente na cidade onde leciono. Conheci escolas da região, conheci a própria cidade onde moro há poucos meses, conheci pessoas engajadas e comprometidas, preocupadas em melhorar a sua área de atuação. Por outro lado aprendi que existe muito medo ao redor desta classe que, contraditoriamente, por ser esclarecida e especializada, não deveria se deixar dominar e subjugar e, principalmente por ter conhecimento, deveria se levantar da cadeira e lutar por melhores condições de trabalho. Mas permitiu-se levar pela covardia e pela apatia (e, posso afirmar também, certo comodismo). Isto entristece e revolta, pois serão os conformados que continuarão a disseminar lições sem sentido aos alunos que permanecerão no mesmo estado. Dar a cara à tapa não é fácil, desde aquele que preferiu aproveitar a ausência da sala de aula para cuidar de outras tarefas (ciente do desconto em sua folha de pagamento) até o outro que vestiu a camisa da causa do professorado paulista e lutou incansavelmente, todos os dias. Este texto é para vocês.
Se existe alguém que mereça a alcunha de mestre, de professor, são esses que, quase que literalmente, digladiaram em cada um dos mais de 90 dias de greve, colocando na prática aquilo que aprenderam, aquilo em que acreditam. Se existe uma fagulha de esperança na educação, tão em descrédito, em completa falência e decadência, são esses guerreiros que a mantêm acesa e com ela podem incendiar o mundo, incendiar os alunos de novas ideias, de reflexão sobre aquilo que os rodeia. Se há um professor que eu queira ser, são esses professores que, apesar do ambiente prisional das escolas, não sentem-se encarcerados, limitados pelas amarras que o sistema impõe a cada dia, burocratizando algo que deve ser sempre vivo, movente, transgressor: a educação.
      Mesmo não havendo atendimento às reivindicações, mesmo que cansados e massacrados por um governo autoritário e relapso com os jovens, crianças e o corpo docente que lida com elas, são esses verdadeiros mestres que me fizeram aprender muito mais, que me motivaram a persistir e a encontrar uma luz no fim do túnel demasiado escuro da educação no estado de São Paulo e no país.


10 de junho de 2015

Mania de fobia


Depois da heterofobia, brancofobia, agora descobri que existe a cristofobia. Logo Jesus Cristo que é só amor e pede para que você faça o mesmo com o próximo, não impôs nada pelo medo e ainda foi crucificado. Tudo bem, patologia não discutimos e, sim, padecemos. Analisando a minha rotina, dei-me conta de que há outros tipos de medos irracionais, primários, primitivos rondando a minha cabeça.
Os sintomas começam quando uma batida ritmada se avizinha à minha janela e sou obrigado a escutar um ritmo popularizado nas periferias e no programa Esquenta. É batata, bastou eu ouvir o primeiro “TCHUTCHA TCHUCHA” e o tom desafinado do MC que a minha funkfobia piora e me deixa em estado de nervos. Às vezes esta sensação transmuta-se para o bregofobia, quando a muriçoca pica, pica, pica, pica n’algum bar da região.
Mas o meu drama não para por aí, todo 5º dia útil do mês sou acometido pela durezofobia, sabe aquela aflição de ficar sem um tostão furado já no dia seguinte ao do pagamento constar na conta corrente? Deste mal eu sei que não sou o único que padeço. Ser pobre já não é fácil e ainda sofrer destes ataques de pânico com a conta zerada ou negativa, então...
Ouvi dizer que algumas pessoas desenvolveram cronicamente a livrofobia e a leiturofobia que, consequentemente, tornam-se interpretofóbas também, uma histeria que se alastrou pelas redes sociais, dizem...
São tantas fobias se desenvolvendo na sociedade moderna que eu penso aonde a humanidade vai parar com tanto medo?

Pensando bem, tenho percebido que as minhas postagens foram pouco visualizadas ultimamente. Pode ser presunção da minha parte, mas o problema não é o texto. O que explica a baixa popularidade das minhas postagens neste blog só pode ser Wesleyfobia!!! Cadê as autoridades para cuidar disso? Absurdo...

7 de junho de 2015

Dos problemas da escrita e da leitura


   Muito se culpa a Internet de contribuir para os problemas do povo brasileiro com a escrita, leitura e interpretação de texto. Na verdade, ela apenas evidencia uma situação que já existia anterior à era digital. Apenas tornou visível esta dificuldade nacional que as postagens mal escritas e equivocadas explicitam. Se brasileiro escreve mal é por falta da prática constante, se não obedece às regras de concordância nominal e verbal e à ortografia é porque ele também não ou pouquíssimo lê (não possui a referência visual da língua escrita). Não somos uma pátria educadora, como deseja a presidenta, nem sequer um país de leitores e esta realidade acontece por diversos fatores além da falta de interesse tupiniquim em pegar um livro e ater-se em sua leitura.  Na verdade, todos lemos de alguma forma, desde placas de rua às publicações dos amigos no Facebook, estamos imersos numa sociedade que valoriza o escrito e prima o visual, é impossível não se fazer uma decodificação simples destas informações. 
Tudo começa no âmbito escolar e, antes disso, no seio familiar.  Se a leitura e a escrita não são incentivados nestes ambientes, dificilmente teremos um leitor. Mas nem tudo é garantia de que esse contexto gere também uma pessoa que descubra e mantenha o hábito da leitura. Num mundo com tantas ofertas de distração é fácil deixar o livro ou outro suporte em segundo plano. Como já disse e escreveu a minha professora da graduação Ana Maria Haddad, não exatamente com essas palavras, temos que deixar de lado essa ideia romântica do "prazer" pela leitura, pois diante de um texto mais complexo e profundo e de uma linguagem não facilitada, aquilo vai trazer diversas sensações, menos o prazer imediato.
Se você busca apenas o prazer ao ler um texto (literário ou não), vai se frustrar com autores que exigirão um pouco mais do que essa "boa vontade" que só contribui para a padronização de sua leitura feita dos mesmos autores, gêneros etc. Os livros mais desafiantes são aqueles que geram principalmente desconforto, seja linguístico, temático, ideológico, que colocam o leitor em desconcerto consigo e com o mundo. Cujo estilo exigirá uma releitura e permitirá uma diferente apreensão, novo significado.  Ler é um "tour de force", por vezes cansativo, mas que te traz um sentimento ímpar de descobertas, ler é o exercício da expressão popular "água mole em pedra dura...". Então abandonando o livro, pela falta de hábito, pela noção equivocada de leitura, pela atração exercida por outras mídias, a pessoa vai perder cada vez mais o contato com o universo da língua escrita, tão exigida e cobrada pela sociedade.  Consequentemente essa pessoa vai reproduzir clichês, argumentos mal fundamentados, preconceitos de outrem, tudo naquele estilo (ou falta de...) onde não é prioridade o cumprimento de determinadas regras ortográficas que irão assustar os mais puristas seja pelo desleixo com suas orientações/prescrições ou pelo vazio de suas ideias. E aí voltamos ao que hoje pululam nas redes sociais e na Internet.  O problema da leitura é um círculo vicioso difícil de ser interrompido pois esta categoria de ignorância é conveniente para muitos inclusive.