16 de abril de 2017

Nebulosidade


Está tudo nebuloso, impreciso. Um silêncio incomodante, uma paz quando tudo deveria ser caótico. Não entendo a passividade, aguardo o estopim, a faísca necessária para o início do grande incêndio, aquele que porá tudo abaixo, aquele que reduzirá as coisas à cinzas. Tudo que acreditamos, pó. Aquilo que está posto, gás carbônico. A realidade que vivemos, passado. Enquanto isso encontram maneiras de sabotarmo-nos, o golpe preciso e mortal. A rasteira invisível a qual não enxergamos quem, só percebemo-nos em queda. Ou seria suspensão? Ou seria apenas impressão? Sonho? A existência assemelhando-se a um pesadelo. Os monstros do imaginário popular metamorfoseados em seres legislativos e executivos a nos forçar o medo, a nos operar lobotomia, a nos empurrar um prato frio (como vingança. De quê? O que fizemos? Que culpa temos nós?) e podre. Engolindo a seco tudo que se encerra nesse pacote. Anseio pela revolta, mas eu mesmo encontro-me refém da situação, mobilizado pelos afazeres, pelas obrigações, pelos débitos na conta corrente. Tentando caminhar e persistir em meio a tanta névoa, a visão turvada pela neblina. Nebulosidade que me impede (e aos meus também) enxergar além, vislumbrar uma réstia que seja de luz, um fio esperançoso, a trazer luminosidade, a trazer calor, a esquentar os ânimos a tal ponto que, quiçá, uma combustão irrefreável se inicie, enfim, e as chamas se espalhem rapidamente, como num mato seco...

Nenhum comentário:

Postar um comentário